Health Spain , Salamanca, Tuesday, April 06 of 2010, 10:17

Teste analisa as perdas de memória que são produto de traumatismos

Karalyn Patterson, da Universidade de Cambridge, explica em Salamanca as chaves do Teste de Patterson, aplicado em todo o mundo

JPA/DICYT Karalyn Patterson é uma reconhecida cientista da MRC Cognition and Brain Sciences Unit, da Universidade de Cambridge, famosa por haver criado um teste que leva seu nome para detectar patologias cerebrais relacionadas com a perda de memória. A especialista britânica visitou hoje o Instituto de Neurociências de Castela e Leão (Incyl), em Salamanca, para explicar os fundamentos desta prova diagnóstica que serve, ademais, para conhecer o papel das zonas do cérebro implicadas na memória e na linguagem.

 

Seu objeto de estudo são as patologias cerebrais que surgem depois de uma lesão. Em concreto, procura saber como estas afetam a linguagem e a memória em adultos, ainda que atualmente trabalhe em uma doença progressiva da memória. “Quando falo de memória não quero dizer o tipo de memória que todos entendemos, sobre o que fizemos na semana passada, mas me refiro ao nome que damos aos objetos. Quando utilizamos uma palavra, todos sabemos a que objeto se refere, mas existem pessoas que podem perder essa capacidade para lembrar do significado de uma palavra que identifica objetos, pessoas ou atividades, isso é a memória semântica, na qual trabalhamos”, indicou em declarações a DiCYT.

 

Estas patologias estão muito focadas em uma área concreta do cérebro, de maneira que entender este tipo de problemas também supõe conhecer “que tipo de papel tem essa zona do cérebro em nossa vida diária”, assegura.

 

“O diagnóstico deste tipo de doenças se baseia, sobretudo, em técnicas de neuroimagem, mas também em testes como os que projetamos, que não consistem tanto no diagnóstico geral da doença, mas em aprofundar os detalhes”, afirma. Assim, o Teste de Patterson inclui uma parte verbal, que estabelece uma relação entre uma palavra e um objeto, e provas não verbais, que buscam a capacidade para recordar associações entre objetos.

 

Para explicá-lo, Patterson dá um exemplo concreto com dois desenhos parcialmente parecidos, mas com uma diferença importante: dois camelos, o objeto real, com sua corcova incluída, tal e como o é na realidade; e uma versão simplificada que desenhou o próprio paciente, destituída de corcova. “Perguntamos ao paciente qual é o objeto real, algo que inclusive uma criança de dois anos seria capaz de identificar, mas estes pacientes crêem que o objeto real é o que eles desenharam, porque perdem a memória que lhes indica que a corcova é uma parte essencial do camelo”, sinaliza.