Nutrition Spain , León, Friday, May 11 of 2012, 13:20

Utilizam técnicas geofísicas para estudar a estrutura interna de escombreiras de El Bierzo

Trabalho foi apresentado durante as Jornadas cientifico-técnicas de restauração ecológica em áreas afetadas pela mineração, organizadas pela Ciuden

Cristina G. Pedraz/DICYT Nos últimos anos a Fundação Cidade da Energia (Ciuden), em colaboração com outras entidades, está realizando a reflorestação de escombreiras na comarca de El Bierzo, ação que pretende reintegrar a paisagem destes espaços degradados pela atividade mineira. Neste sentido, conhecer a espessura das escombreiras é a chave para realizar uma restauração florestal ideal. Para determinar estes parâmetros utiliza-se atualmente uma série de aplicações geofísicas, técnicas que estudam a Terra do ponto de vista da física.

 

Durante esta semana, aproximadamente cem especialistas de todo país compartilham suas experiências na restauração ecológica desta área na I Jornada científico-técnica organizada pela Ciuden. Diversas palestras e comunicações foram apresentadas no encontro, dentre as quais está a elaborada pela Geofísica Consultores. Esta empresa coopera com a Ciuden há quatro anos na estimação da espessura das escombreiras de El Bierzo.

 

Conforme explicou a DiCYT um de seus técnicos, Senén Sandoval, o trabalho de Geofísica Consultores focou-se “em avaliar a espessura e quantificar o volume de resíduos que havia nas escombreiras de Tremor de Arriba e Arlanzón, parâmetros que permitem determinar quais espécies são as mais apropriadas na reflorestação”. Segundo ele, cada espécie está habituada a um tipo de substrato, de modo que é necessário conhecer estes parâmetros antes de realizar a restauração.

 

“Uma vez realizadas as medidas e criados modelos sobre a espessura das escombreiras, Ciuden e Ciemat os utilizarão para desenhar quais espécies serão implementadas nestas áreas”. Atualmente, agrega, “as duas escombreiras apresentam um aspecto excelente, o que quer dizer que as espécies selecionadas foram as corretas”.

 

Três técnicas

 

Especificamente, para estimar a espessura das escombreiras foram utilizadas técnicas geofísicas diferentes. A primeira foi o georadar, uma ferramenta utilizada com freqüência em estudos de arqueologia que permite investigar o terreno. “Realiza uma espécie de radiografia dos primeiros 2-3 metros de profundidade e cria uma imagem na qual se vê o tipo de objetos existentes sob a superfície”. Esta técnica foi utilizada somente nas escombreiras com menor espessura, nas quais era necessário estudar apenas um ou dois metros de profundidade.

 

Desse modo, nas escombreiras com maior espessura fora utilizadas outras duas técnicas: a tomografia sísmica e a tomografia elétrica. A primeira consiste “em criar uma onda sísmica impactando a superfície do terreno com um objeto contundente”. “O terreno é golpeado para criar uma vibração minúscula, um pequeno terremoto, e existem uma série de sensores alinhados ao longo de um perfil, que funcionam como sismógrafos, mas em uma escala reduzida, para determinar o grau de vibração gerado no ponto de impacto”. Sabendo a velocidade de propagação das ondas sísmicas no terreno, “é possível discernir se está composto por material macio ou, ao contrário, por material duro, o que revela um contraste entre o substrato natural rochoso que existe sob a escombreira e a escombreira em si”.

 

Finalmente, o último método baseia-se “em colocar no terreno, a cada 2 ou 3 metros, alguns pregos de aço e injetar corrente elétrica”. Assim é possível estudar “se os materiais são eletricamente resistentes ou condutores”. “Nós sabemos quais materiais conduzem a eletricidade e quais não. Por exemplo, no caso de um terreno que tenha um canal subterrâneo desconhecido é mais fácil fazer com que a corrente elétrica circule”.

 

Este é um dos resultados obtidos no projeto. “A priori não era um objetivo inicial, mas converteu-se em um parâmetro muito importante para determinar se estão circulando fluxos de água através das escombreiras, o que pode criar processos de contaminação nos canais adjacentes”.

 

Vantagens da geofísica

 

Segundo afirma, a geofísica é uma metodologia não invasiva, “de modo que nos espaços de alto valor ambiental, por exemplo monumentos nos quais é possível abrir a área de estudo, contribuem com dados muito valiosos”. Outra vantagem que a geofísica aporta é que as escombreiras nas quais trabalharam têm acessos muito complicados “e técnicas tradicionais como a utilização de maquinaria, sondas, etc, não são viáveis”.