Health Spain , Salamanca, Monday, October 25 of 2010, 12:56

Nova proteína pode servir como marcador de bom prognóstico do câncer de mama

Trabalho do Centro de Investigação do Câncer de Salamanca é publicado em ‘Molecular and Cellular Biology’

JPA/DICYT Cientistas do Centro de Investigação do Câncer (CIC) de Salamanca descobriram que uma nova proteína está relacionada com o bom prognóstico do câncer de mama, isto é, quando aparece super-expressa em um tumor, é sinal de que existem mais possibilidades de que a evolução seja positiva para o paciente. A pesquisa foi publicada na revista científica Molecular and Cellular Biology, MCB, e exposta hoje em seminário realizado no próprio centro por uma das cientistas do laboratório que realizou o trabalho, Isabel Fernández.

 

“Quando estudamos a expressão desta proteína, tanto em tecidos normais como tumorais, descobrimos que ela se relacionava com um marcador usado rotineiramente no diagnóstico do câncer de mama”, explica em declarações a DiCYT. A proteína em questão é a quinasa VRK2 e essa correlação estabelecia-se de forma inversa, isto é, que a mais marcadores do câncer de mama, menos aparecia esta proteína. No entanto, “correlacionava de forma positiva com os marcadores de bom prognóstico”, ou seja, “parecia que nossa proteína estava comportando-se como um marcador de bom prognóstico no câncer de mama, o que é muito significativo porque pode ser que no futuro seja utilizada como marcador tumoral no câncer de mama ou como complemento aos marcadores tumorais já existentes”, assinala a pesquisadora.

 

A partir daí, o trabalho, realizado em linhas celulares humanas e tecidos, esteve centrado em analisar porquê a expressão desta proteína está desregulada nos tumores e “acredita-se que é porque está modulando uma rota de sinalização muito importante, a de ERK. Ao tumor é mais conveniente perder a expressão de VRK2 para ter mais força e progredir mais rápido”, aponta a cientista, que pertence ao laboratório dirigido por Pedro Lazo.

 

De acordo com Isabel Fernández, é necessário que se avance muito mais na pesquisa para chegar a conclusões relevantes, mas ainda assim a descoberta é importante, sobretudo levando em consideração que o “o câncer de mama é uma doença muito heterogênea, principalmente na resposta aos tratamentos, e por isso deve-se continuar identificando-se novos marcadores moleculares que complementem os já existentes para poder predizer melhor uma boa ou má resposta a uma determinada terapia”, afirma. Apesar de os especialistas já disporem de abundante informação a respeito, podem existir marcadores que indiquem que a alguns pacientes um tratamento vai bem mas que, na hora de ser aplicado, haja resistências, de maneira que “existe algo mais que não sabemos” e por isso é tão importante descobrir outros marcadores.