Health Spain , Salamanca, Tuesday, May 03 of 2011, 14:19

Nova spin-off oferece diagnósticos genéticos de apoio ao sistema de saúde

Innovagenomics aproveita a experiência da Universidade de Salamanca para oferecer serviços especializados

José Pichel Andrés/DICYT Innovagenomics é uma spin-off da Universidade de Salamanca que, de acordo com seus promotores, surgiu a partir da necessidade do sistema de saúde de Castela e Leão de contar com uma série de técnicas de genética para apoiar o diagnóstico clínico diário. Em muitas ocasiões, os serviços hospitalares somente desenvolvem as técnicas mais demandadas e precisam de apoio externo para outros casos, de modo que a idéia é cobrir esta demanda canalizando o conhecimento dos especialistas formados em Salamanca para criar uma empresa que gere emprego e qualidade, evitando ao mesmo tempo que muitas análises clínicas sejam realizadas em laboratórios de fora da comunidade, com inevitável aumento dos custos.

 

A espera de logo contar com um espaço no Parque Científico da Universidade de Salamanca, a empresa dá seus primeiros passos na incubadora de empresas da Fundação Geral da instituição acadêmica de Salamanca, isso é, no Centro de Inovação e Dinamização Empresarial (CIDE). “Durante os últimos anos aumentaram visivelmente as solicitações à Faculdade de Medicina para realizar este tipo de estudos de diagnóstico genético e assim surgiu a idéia de aproveitar o conhecimento que possuímos no desenvolvimento das técnicas e da pesquisa relacionada a estas para criar uma empresa que ofereça um serviço ágil ao sistema de saúde”, explica Pilar Armero, responsável por Innovagenomics.

 

Esta tarefa supre uma carência em Castela e Leão, cujos especialistas às vezes recorrem inclusive a laboratórios estrangeiros para obter diagnósticos baseados nos genes.

 

No esquema de trabalho, Innovagenomics conta com duas unidades especializadas em diagnóstico genético. Uma delas é a encarregada de doenças hereditárias, que podem ser comuns ou raras e precisamente nestas últimas se “está realizando um grande esforço por questões de solidariedade”, afirma a pesquisadora, além de que se trata de um serviço muito demandado porque somente existem laboratórios dedicados ao diagnóstico de patologias com poucos casos.

 

Outra unidade se dedica à Oncologia e à Hematologia, campos em que Salamanca é referencia e que implicam um grande número de solicitações, sobretudo porque “os estudos já não se focam no diagnóstico e prevenção, mas também servem para escolher um tratamento adequado, para comprovar se uma terapia será efetiva entre determinados pacientes tendo-se em conta sua dotação genética”, indica.

 

Farmacogenética

 

Estes estudos de farmacogenética são muito importantes, mas não estão entre as funções do Conselho Genético de Castela e Leão, que realiza análises genéticas destinadas à prevenção no caso de alguns tipos de câncer. No entanto, saber se um remédio é adequado ou não para um paciente de antemão implica a “economia de muito dinheiro e de muitos incômodos ao paciente, evitando recaídas e efeitos adversos”.

 

Além das unidades especializadas, existe a unidade de citogenética molecular, cuja função é “fornecer as ferramentas tecnológicas que serão empregadas nas unidades especializadas”, explica.

 

PD&I no centro

 

No entanto, o Departamento de PD&I é especialmente relevante em uma empresa de caráter inovador como esta, “situa-se no centro de nosso esquema porque deve estar atenta a todas as novas publicações científicas, às tecnologias novas que saem e a possíveis projetos que possam ser interessantes”, afirma Pilar Armero. Definitivamente, encarrega-se das atualizações e decide se é possível desenvolver uma nova técnica para estudar determinada doença e incorporá-la à unidade correspondente. “É uma maneira de refrescar a tecnologia e mantê-la em dia”, agrega.

 

Ademais, por parte de Innovagenomics existe a possibilidade de realizar projetos de pesquisa conjuntos com hospitais ou universidades. Além disso, a Junta de Castela e Leão interessou-se pelos serviços que podem ser oferecidos ao sistema de saúde da comunidade. “Nesta universidade formam-se muitos especialistas em aspectos genéticos, mas não existem empresas que os aproveitem e estes acabam escapando. Quem sabe no futuro sejamos uma empresa que lhes dê emprego”, conclui a responsável.

 

A meta das doenças raras

 

Além de realizar os estudos genéticos mais comuns, um dos ativos da nova empresa pode estar em priorizar o diagnóstico de doenças raras, já que os centros hospitalares não costumam destinar recursos nesse sentido pelo reduzido número de casos e, inclusive, este diagnóstico é rentável aos grandes laboratórios. Contudo, “estamos abertos a realizar qualquer tipo de estudo com as ferramentas adequadas. No âmbito universitário foram desenvolvidas técnicas para muitas doenças e esse conhecimento deve ser aproveitado, mas estudamos um caso determinado ainda que não se tenha desenvolvido a técnica”, indica Pilar Armero.

 

“Se somos os únicos que realizamos este trabalho, ao final teremos muitos casos”, afirma. Além de ser uma empresa, destaca o aspecto do serviço de saúde prestado, de modo que “temos um compromisso com a sociedade e com a formação recebida”. Todos os integrantes de Innovagenomics são doutores pela Universidade de Salamanca e Pilar Armero destaca especialmente o assessoramento de Rogelio González Sarmiento, especialista da Faculdade de Medicina que colabora com a spin-off.