Nutrition Spain , Salamanca, Wednesday, July 07 of 2010, 11:55

Pesquisas recentes demonstram que a desertificação na Espanha é menos grave do que se pensava

Especialista assegura em La Alberca (Salamanca) que a má gestão do solo tem mais peso em sua degradação que o aquecimento global

JPA/DICYT O processo de desertificação da Espanha não é tão grave como se pensava há algum tempo atrás. Pesquisas recentes chamam a atenção para a perda de qualidade dos solos, mas o risco apresenta-se alto apenas em 3% a 5% do território espanhol e médio em 30% deste, cifras inferiores ao que se acreditava. Ademais, as causas estão mais relacionadas com a má gestão do solo do que com o aquecimento global. Assim explicou hoje Francisco López Bermúdez, professor da Universidade de Murcia que inaugurou a quarta edição do curso de verão da Universidade de Salamanca: Hidrologia de Bacias Florestais. Desafios Científicos e de Gestão em La Alberca (Salamanca).

 

O especialista explicou que na década de 1970 a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a preocupar-se com a desertificação do planeta, preocupação que manifestou em uma conferência internacional que aconteceu em Nairóbi (Quênia) em 1978, na qual todos os estados participantes aportaram dados. No entanto, “nesta época não existiam bases de dados fiáveis e uma aproximação à questão gerou inquietudes”, afirma em declarações a DiCYT. Em particular, estimou-se que o risco na Espanha era muito elevado. Em 1992, a Cúpula da Terra celebrada no Rio de Janeiro (Brasil) voltou a discutir esta questão, mas depois “uma série de experimentos nas bacias hidrográficas apresentaram resultados inferiores”.

 

López Bermúdez quis fazer uma clara distinção entre o que é um deserto e o processo de desertificação. O primeiro é resultado de grandes mudanças climáticas ocorridas no passado. Concretamente, os desertos que hoje existem no planeta se formaram há cerca de 10.000 anos, enquanto o processo de desertificação como o que vive parte da Espanha “é a perda da capacidade produtiva do solo”.

 

A razão pela qual pode ocorrer está relacionada com a alteração de três elementos fundamentais: solo, água e vegetação. Por tanto, a má gestão do solo por parte do ser humano seria o fator determinante do aumento da desertificação, um empobrecimento do solo que é grave porque é o “suporte da natureza e da vida, e não é renovável”.

 

No entanto, assegura que atualmente “existem os conhecimentos e os recursos necessários para que estes problemas não sejam uma ameaça”. Por isso, reclama o papel da pesquisa para que as políticas adequadas sejam adotadas a partir dos dados obtidos.