Universidade de Salamanca caracteriza novas variedades de árvores frutíferas e cultivos hortícolas em Arribes
José Pichel Andrés/DICYT Especialistas da Faculdade de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade de Salamanca trabalham na caracterização de variedades tradicionais de espécies de árvores frutíferas e cultivos hortícolas do Parque Natural de Arribes del Duero. Em sua investigação, os pesquisadores já encontraram dezenas de variedades de espécies ainda não descritas cientificamente como a amendoeira e o tomate, com o objetivo de promover-las entre os agricultores da zona, já que têm interesse agronômico.
O objetivo é recuperar cultivos de hortícolas e árvores frutíferas como a amendoeira, a figueira, a abóbora, o tomate, a maçã e alguns cítricos. “Nossa idéia é potencializar as variedades tradicionais, que estão sendo perdidas, porque as que existem neste momento na agricultura são variedades melhoradas que vêm de outros países e que estão muito menos adaptadas às condições locais, motivo pelo qual necessitam de mais insumos fertilizantes e fitossanitários. Por outro lado, as autóctonas se adaptam muito mais às exigências da produção integrada e ecológica”, afirma Remedios Morales, uma das pesquisadoras que participam do projeto.
O fato de que Arribes del Duero tenha sido tradicionalmente uma zona mal-comunicada e pouco desenvolvida faz com que agora possam ser localizadas muitas variedades tradicionais que ainda não se perderam, já que “os agricultores continuavam cultivando-as porque não chegavam até eles outras sementes”. Por isso, os cientistas que participam neste projeto descobrem variedades “que não são encontradas em outros lugares, com uma riqueza em polifenóis, em odor ou em sabor incríveis”, asseguram.
Na iniciativa participam outras instituições, como a Fundação Biodiversidade (Fundación Biodiversidad) ou a Prefeitura de Vilvestre (Ayuntamiento de Vilvestre), localidade que abrigará um banco de germoplasma para estes cultivos, isto é, uma instalação na qual se irão armazenar amostras, como sementes, para que se permita preservar estas variedades únicas, com câmaras para conservá-las em condições idôneas de escuridão, frio e ausência de umidade.
Ampliar à Zamora
Ademais, a Universidade tem parcelas de terra em Vilvestre nas quais se começará a cultivar variedades tradicionais para torná-las conhecidas e fornecer sementes aos agricultores interessados. Outras localidades onde foram realizadas prospecções são Masueco de la Ribera, Aldeadávila la Ribera, Corporario o Mieza, todas elas na província de Salamanca. “Quando tenhamos melhor caracterizada a zona de Arribes de Salamanca passaremos à de Zamora, mas é uma zona próxima e o material genético costuma ser o mesmo”, comentam os responsáveis pela pesquisa. De fato, as variedades que estão descobrindo não são encontradas em nenhum outro lugar da Espanha, mas sim no outro lado do rio, na parte portuguesa de Arribes del Duero, com a que havia mais comunicação.
Através do contato com prefeituras, cooperativas e particulares, os cientistas obtêm pistas que lhes conduzem à caracterização agromorfológica segundo uma série de parâmetros pré-estabelecidos por organismos internacionais para determinar a existência de distintas variedades. O trabalho consiste na realização de exaustivas medições da flor, fruto, folha e sementes, por exemplo, assim como determinação de outros fatores agronômicos como a qualidade, técnicas de cultivo, a temperatura ou a temperatura que suportam. Em tudo isso também têm seu papel as novas tecnologias, já que os pesquisadores obtêm referências através de GPS.
Medições rigorosas
Esta atividade requer muito trabalho de campo, sobretudo nos momentos chave do ano, por exemplo, quando ocorre a floração ou amadurecimento de um fruto, uma vez que “é necessário recolher muitos dados no campo, de forma que se acumula um grande volume de estatísticas”. O caso da amendoeira é um dos que mais chama a atenção, já que se caracterizaram morfológica e agronomicamente umas 20 variedades, 15 dos chamados frutos com semente, como a maçã, e 10 de figueira. Em uma fase posterior da pesquisa, os cientistas se propõem a realizar a caracterização molecular de todos os cultivos, de maneira que as diferenças genéticas entre uma variedade e outra comprovem que se trata de árvores ou plantas hortícolas únicas, o que , pelo momento, só se realizou com a cerejeira, dentro de um projeto anterior.
A realização destes estudos supõe um grande respaldo para os produtores da zona, uma vez que poderão oferecer um produto único e sem necessidade de investir em insumos. “Na realidade, levam toda a vida realizando agricultura ecológica sem sabê-lo”, assegura Remedios Morales, que conta neste projeto com outros membros do Departamento e Construção e Agronomia da Universidade de Salamanca, como María Ángeles Gómez Sánchez y Rodrigo Pérez Sánchez.