Health Spain , Salamanca, Tuesday, March 10 of 2009, 12:00

As mulheres são mais vulneráveis ao álcool tornando-se adictas em um período de tempo menor

A Unidade de Alcoolismo do Hospital Clínico Universitário de Salamanca publicou um estudo na revista 'Adicciones'

José Pichel Andrés/DICYT Uma pesquisa da Unidade de Alcoolismo do Hospital Clínico Universitário de Salamanca indica que as mulheres são mais vulneráveis ao consumo de álcool e que se tornam adictas a esta substância mais rapidamente que os homens. O estudo, realizado com 370 pacientes da cidade de Salamanca, foi publicado no último número da revista Adicciones, depois de avaliar diferentes parâmetros fisiológicos e sociais. 

 

Os resultados da pesquisa corroboram com a maioria dos dados mostrados por outros estudos nacionais e internacionais realizados anteriormente, os quais também indicavam uma menor tolerância ao álcool por parte das pacientes femininas. ”Queríamos avaliar se, além disso, as manifestações clínicas nas mulheres são diferentes das dos homens”, declarou a DICYT José Juan Ávila Escribano, especialista da Unidade de Alcoolismo do Hospital Clínico Universitário de Salamanca e autor do estudo junto ao doutor González Parra.
O estudo foi feito com 325 homens e 45 mulheres, pacientes que durante um período de dois anos e meio passaram pela Unidade de Alcoolismo e aos quais se aplicou uma entrevista estruturada denominada Europasi, que avalia diferentes áreas que podem estar afetadas pelo consumo de álcool: somática, psiquiátrica, laboral, legal, familiar e aditiva. “Queríamos demonstrar em que áreas havia diferenças no alcoolismo do homem e da mulher”, explica o autor, que conta com dados informatizados de seus pacientes desde 2002.


Mais problemas psiquiátricos

 

“Embora as mulheres comecem a ingerir álcool mais tardiamente, elas recorrem às consultas na mesma idade, portanto a fase de alcoolização é mais rápida”, afirma o especialista. Outros dados destacados são o fato de beberem menos álcool, em quantidades pouco significativas, e que apresentam maiores problemas psiquiátricos, enquanto que os homens sofrem maiores problemas laborais e legais.

 

Em geral, o estudo evidencia maiores diferenças entre sexos do ponto de vista social que do ponto de vista fisiológico, mas as análises clínicas também o revelam. De fato, os pacientes etilistas têm alteradas as transaminases, enzimas localizadas no fígado, o que representa uma pista para as pesquisas. Mas mais do que as diferenças hepáticas, o dado de maior relevância é que as pacientes femininas apresentavam maior repercussão hematológica, porque o tamanho dos seus glóbulos vermelhos era maior que o dos homens. A alcoolização mais rápida tem um motivo fisiológico, uma vez que as mulheres não têm a enzima álcool desidrogenase gástrica, que existe no caso dos homens.
 

 

Possível relação com o câncer de mama

Ressalta-se o fato do volume dos glóbulos vermelhos aumentarem devido a carência de ácido fólico e vitamina B12. “De acordo com algumas pesquisas, a carência de ácido fólico tem alguma relação com o câncer de mama, o que poderia explicar o fato de as mulheres etilistas terem uma maior incidência deste tipo de tumores”, adverte Ávila Escribano, que incluiu esta reflexão no artigo publicado.


Para os autores da pesquisa, outro dado relevante é a grande diferença que continua existindo entre ambos os sexos na hora de recorrer à ajuda de médicos especialistas, uma vez que o número de mulheres é bem inferior ao dos homens. “É dito que as mulheres recorrem menos à consulta devido às conotações sociais que ainda tem o alcoolismo. Contudo, pensamos que igualando o consumo de álcool entre homens e mulheres nos últimos anos, seria de esperar que a percentagem de mulheres etilistas aumentasse. Mas não é assim; atualmente para cada cinco homens em tratamento temos somente uma mulher, e este número se mantém igual há 20 anos”, acrescenta. Entre as possíveis razões poderiam estar o fato de as mulheres “mascararem seu alcoolismo com outros transtornos psicopatológicos ou buscarem consultas privadas porque ainda existe um preconceito social grande”, comenta o especialista.