Health Spain , Salamanca, Monday, April 29 of 2013, 17:02

Incyl desenha testes objetivos para analisar problemas auditivos

Cientistas de Salamanca realizaram um estudo com paciente para uma empresa dos Estados Unidos e agora querem aperfeiçoar a técnica, com o objetivo de adaptar os aparelhos auditivos a cada paciente

José Pichel Andrés/DICYT Graças ao financiamento da empresa americana Starkey, o Instituto de Neurociências de Castela e Leão (Incyl) da Universidade de Salamanca realizou testes durante dois anos com pacientes que sofrem de perda auditiva neurossensorial bilateral, uma perda de audição normal em pessoas idosas. O objetivo é entender a razão pela qual um mesmo aparelho auditivo oferece melhores resultados em algumas pessoas do que em outras com o mesmo problema. Agora, um novo projeto pretende tornar mais rápidos e objetivos estes testes, medindo a atividade cerebral por meio de eletrodos. Ao invés de realizar muitas visitas por mês, poucos minutos servirão para analisar com detalhe cada paciente.

 

No estudo realizado até agora para a companhia Starkey, os cientistas receberam cerca de 400 pessoas, estudando com detalhe a 68. “Estamos começando a analisar os dados, agora se abre um processo de um ano e meio ou dois, até que analisemos e publiquemos resultados”, explica a DiCYT Enrique López Poveda, pesquisador do Incyl e responsável por esta linha de pesquisa.

 

Cada um dos pacientes teve que realizar testes durante um mês, por duas horas todos os dias, e visitas posteriores durante outros dois meses, isso é, o processo é muito longo e requer muita dedicação dos pacientes voluntários. “Parecia impossível, mas o fizemos e deu tudo certo”, afirma o especialista. Foram testes de percepção auditiva e de emissões otoacústicas, que consistem em estimular o ouvido com sons e analisar seu eco.

 

A hipótese dos pesquisadores é que alguns pacientes sofrem mais danos nas células ciliadas internas e outros nas células ciliadas externas. As primeiras coletam os sons e as segundas os amplificam, mas quando existe um dano auditivo, não se sabe qual dos dois grupos foi afetado. “O que fizemos foi coletar muitos indicadores do possível dano em células ciliadas internas e externas. Mas estes indicadores são todos indiretos, baseiam-se em testes de percepção e devem ser validados”, indica López Poveda. Assim, um novo projeto de pesquisa nacional tentará fazê-lo de modo objetivo. Com esta informação sobre os pacientes poderiam ser fabricados aparelhos auditivos adaptados a cada pessoa.

 

Ainda que os cientistas confiem em que, efetivamente, os indicadores utilizados em seus testes informam sobre o dano de cada tipo de célula, agora querem desenvolver uma técnica clínica objetiva para medí-los em um ambiente hospitalar. “Ao invés de ter ao paciente durante um mês submetendo-se a testes, poderíamos fazê-lo em alguns minuto ou uma hora, como muito”, indica o pesquisador.

 

Ao invés dos testes de percepção auditiva e de emissões otoacústicas, seriam testes de potenciais evocados auditivos, técnica que consiste em colocar eletrodos no couro cabeludo e medir a atividade cerebral elétrica como resposta a estímulos acústicos. “Ao colocar os eletrodos sobre o osso temporal, mede-se o potencial elétrico criado pelos neurônios auditivos”, um teste mais rápido e objetivo para seguir esta linha que futuramente poderia permitir desenvolver aparelhos auditivos que considerem esta nova informação.

 

Serviço universitário para pacientes

 

Além do propósito principal da pesquisa, os cientistas comprovaram neste projeto que existem muitas pessoas insatisfeitas com a qualidade da atenção que recebem nos consultórios audioprotésicos. “Muitas pessoas que participaram do estudo pedem que a universidade ofereça serviços externos de audiologia e audioprótese”, indica López Poveda. “A maioria participou porque queria uma atenção de mais qualidade, e com menos gastos”, agrega.

 

Assim, López Poveda propôs à Universidade de Salamanca a criação de um serviço externo de audiologia, para o qual “somente seriam necessários dois consultórios”. Desta forma, seria completado todo o trabalho que realiza nesta área, não só na pesquisa e na relação com empresas, mas também na docência, já que o curso de especialista em Audiologia do Incyl é referência nacional e um serviço deste tipo serviria para que os alunos praticassem.