Technology Spain , Salamanca, Monday, November 22 of 2010, 16:26
EMPÍRIKA 2010

"Todas as indústrias produzem resíduos, a nuclear é a única em que estes estão localizados e armazenados"

Manuel Lozano defende na atividade 'Café com ciência' o uso da energia nuclear

AMR/DICYT  Para desmitificar a informação que os cidadãos têm sobre a energia nuclear, o especialista Manuel Lozano Leyva, cientista e divulgador da Universidade de Sevilha, conversou com o público presente no último dos Cafés com ciência, uma das atividades que formam parte da feira Empírika 2010. Lozano Leyva defendeu o papel da energia nuclear como fonte energética em nossa sociedade e procurou enterrar a alguns dos lugares-comuns que permitiram que esta forma de obtenção de eletricidade tenha má fama e seja temida por muitas pessoas.

 

Manuel Lozano Leyva foi diretor do Departamento de Física Atômica, Aplicada e Nuclear e Vice-reitor de Investigação da instituição acadêmica hispalense. Ademais, ocupa o cargo de representante espanhol na Fundação Européia para a Ciência. Por seu extenso currículo e suas pesquisas (estudou as reações nucleares, mas também cultivou a Cosmologia e a Astrofísica), é um dos maiores especialistas em energia nuclear na Espanha. Atualmente, em um grupo do CERN, a Organização Européia para a Investigação Nuclear, analisa a incineração de resíduos radioativos como opção para seu tratamento.

 

Durante o bate-papo, o especialista abordou um dos temas de debate atuais na Espanha: a localização do armazém temporário centralizado para os resíduos nucleares gerados nas centrais do país. Sua primeira intenção é afastar o termo 'cemitério' da discussão. "Se é cemitério, seria positivo, porque não existe nada mais pacífico que um campo-santo", indicou a DiCYT o especialista.

 

Lozano Leyva defendeu este tipo de instalações. "Toda indústria produz resíduos. Os nucleares são especialmente perigosos, mas faz 50 anos que sabemos manejá-los. Por outra parte, estes são os únicos resíduos localizados e armazenados de todos os que são produzidos. Apesar de ter longa duração, outros, como o arsênio, duram toda a vida", disse.

 

O especialista lamentou o fato de que "ninguém" no âmbito político na Espanha tenha defendido a energia nuclear, "nem a direita, nem a esquerda". Por esta razão, "todas as campanhas que estão contra não obtiveram resposta". O autor da obra de divulgação Nucleares, por que não?, que incentivou o debate sobre a energia nuclear, o contrapôs com a situação européia: "Começamos a observar alguma tendência à defesa ao uso das nucleares". Esta situação permeia o movimento ecologista: "existe já uma tendência ecologista pró-nuclear, especialmente na Inglaterra, onde o anterior diretor-geral do Greenpeace defendeu este tipo de energia".