Ciencia Brasil Campinas, São Paulo, Martes, 26 de abril de 2011 a las 10:28
Meio Ambiente

Terremoto e tsunami no Japão matam aves ameaçadas de extinção

O terremoto e tsunami ocorridos em março no nordeste do Japão mataram milhares de albatrozes e outras espécies ameaçadas de extinção.

ComCiência/Labjor/DICYT O terremoto e tsunami ocorridos em março no nordeste do Japão mataram milhares de albatrozes e outras espécies ameaçadas de extinção que habitavam o atol Midway, localizado no noroeste do Havaí. Esse atol, um dos mais remotos da terra, abriga mais de dois milhões de pássaros. Dezenas de milhares deles foram mortas pelas ondas gigantes que varreram boa parte de sua extensão. Essas informações, veiculadas no site da BBC, são do US Fish and Wildlife Service.

 

“A morte desses albatrozes é uma terrível notícia principalmente quando se leva em conta o declínio da população dessas aves. No mundo, são 22 espécies, todas ameaçadas de extinção”, comenta Tatiana Neves, coordenadora do Projeto Albatroz, uma organização não-governamental baseada em Santos (SP) e que, há vinte anos, desenvolve atividades para preservar albatrozes e petréis, esses últimos também ameaçados de extinção. No Brasil, seis espécies de albatrozes estão na lista de ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente.

 

Dados da BirdLife International, uma organização mundial que congrega entidades voltadas à conservação de aves marinhas, mostram que, a cada ano, cerca de trezentas mil aves são mortas. Destas, mais de cem mil são albatrozes. Somente no Brasil, mais de dez mil albatrozes são mortos por ano.

 

A maior ameaça às populações dessas aves é a captura incidental pela pesca. No Brasil, é o espinhel pelágico – técnica de pesca utilizada pelos barcos do Sul e Sudeste do Brasil para apanhar atuns, cações e espadartes (meca) – o responsável pela morte das aves. Ao tentarem comer as iscas, os albatrozes ficam presos nos anzóis e morrem afogados.

 

O Projeto Albatroz faz pesquisas científicas e implementa medidas para reduzir a captura dessas aves, colocadas em prática nas embarcações de pesca que partem dos portos de Santos (SP), Itaipava (ES), Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), municípios onde a organização mantém atualmente bases de trabalho. As atividades da organização também envolvem educação ambiental nos terminais de pesca dos portos onde atua, com o objetivo de sensibilizar os pescadores quanto à importância de preservação dessas aves e também para demonstrar os resultados positivos obtidos a partir do uso de medidas mitigadoras, entre elas o toriline. Esse equipamento é formado por cabos aéreos de náilon com fitas coloridas, fixado em postes na popa da embarcação e que impede as aves de comerem as iscas porque as espanta. Estudos do Projeto Albatroz comprovam que, sem o uso do toriline, noventa aves são capturadas a cada cem mil anzóis. A utilização do equipamento permite que, lançando essa mesma quantidade de anzóis, esse número diminua para 37, representando, portanto, redução de 60% na morte das aves.