Ciencia Brasil Campinas, São Paulo, Miércoles, 14 de diciembre de 2011 a las 10:51
Percepção de C&T

Pesquisa sobre o interesse jovem na ciência é lançada em livro

Hábitos informativos sobre ciência e tecnologia foi um dos temas abordados na publicação

Monique Lopes/ComCiência/Labjor/DICYT  Los estudiantes y la ciencia é o nome do livro, recém-lançado, que traz os resultados de uma pesquisa realizada entre 2008 e 2010, em países ibero-americanos, acerca do interesse dos jovens por assuntos ligados à ciência e tecnologia. No Brasil, a pesquisa foi aplicada em São Paulo (cidade) pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que é também responsável por um dos capítulos da publicação.

 

A pesquisa foi aplicada a nove mil estudantes de nível médio de algumas capitais, cidades e respectivas áreas periféricas, quais sejam: Assunção (no Paraguai), Bogotá (na Colômbia), Buenos Aires (na Argentina), Lima (no Peru), Madrid (na Espanha) e Montevidéu (no Uruguai), além de São Paulo (no Brasil). Cada instituição participante aplicou um questionário padrão a jovens de 15 a 19 anos e ficou responsável pela análise de resultados e produção de artigo de um aspecto relativo à pesquisa. Foram pesquisadas escolas públicas e privadas.

Denominado “Hábitos informativos sobre ciência e tecnologia”, o capítulo que compete ao Labjor apresenta os resultados da pesquisa quanto aos meios em que os jovens costumam buscar informações científicas e com que frequência o fazem. O artigo foi escrito por Carlos Vogt, Ana Paula Morales, Sabine Righetti e Cristina Caldas, e traz comparações entre todos os locais pesquisados.

 

O coordenador do Labjor, Carlos Vogt afirma que não há grandes diferenças entre os hábitos dos jovens brasileiros e estrangeiros, assim como se comparados os resultados com os hábitos de adultos, pesquisados em 2009 pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia (Fecyt) em conjunto com a Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) e a Rede Iberoamericana de Ciência e Tecnologia (Ricyt). No geral, os números obtidos apontam para o baixo interesse de jovens pela ciência, mas Vogt não enxerga tal resultado com pessimismo. “É um resultado preocupante, mas realista, e que funciona como um sinal, um alerta para medidas que precisam ser tomadas a fim de mudar a situação”, declara.

 

Ainda que a procura por informações sobre ciência e tecnologia seja pequena, ela não é inexistente. Os meios pelos quais os jovens mais se informam são televisão (através de programas sobre ciência e tecnologia e documentários sobre vida animal e natureza) e internet. Numa escala de quatro pontos, em que 0 se refere a “nunca” e 4 a “sempre” quanto à frequência pela busca informativa, a televisão atingiu 2,3 pontos – no caso de documentários – e 1,4 pontos – em programas científicos no geral. A internet, por sua vez, atigiu os mesmos 1,4 pontos.

 

Tais resultados já eram esperados, conforme afirmam os pesquisadores e autores do capítulo, principalmente no que diz respeito à internet e o uso desse meio de comunicação pelos jovens. De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), em 2008 o número de usuários de internet no Brasil era de 54 milhões, sendo que 65% destes eram jovens na faixa etária de 15 a 24 anos. A mesma pesquisa mostra ainda que a televisão é equipamento “universal” nos domicílios brasileiros, presente em 98% dos domicílios pesquisados.

 

Livros, filmes e revistas de ficção científica conquistaram o segundo lugar no ranking da pesquisa, atingindo 2 pontos, o que Vogt considera muito positivo: “É preciso motivar os jovens para os temas de conhecimento e cultura de forma prazerosa, aproximar ciência de literatura, criar condições de envolvimento emocional com o tema”, afirma. Para ele, é assim que se formam o que chama de “amadores da ciência”: “Amador porque ele provavelmente não tem o conhecimento técnico, é amador, mas também porque ama a ciência”.

 

O livro não traz indicações do que é preciso fazer para mudar o quadro que apresenta, apenas as possíveis causas da situação. Mas, para Vogt, a solução deve vir através do ensino, da educação, de programas que foquem na formação dos professores de ciência e na valorização da carreira científica.

 

Lançado apenas em espanhol, o livro é um projeto do Observatório Ibero-americano de Ciência, Tecnologia e Sociedade, com organização de Carmelo Polino, e pode ser encontrado – e baixado – no site da OEI. Ainda não há previsão para o lançamento da publicação impressa. A Organização dos Estados Ibero-americanos pretende em 2012 aplicar a mesma pesquisa a professores de escolas públicas e privadas com a possível adesão de outros países, como o México por exemplo.