Ciencia Portugal , Braganza, Viernes, 16 de mayo de 2014 a las 13:43

Surpreendentes achados da Idade do Ferro no vale do rio Sabor

Arqueólogos portugueses apresentam em Zamora (Espanha) os resultados de pesquisas que lançam luz sobre uma impressionante coleção de gravuras e dados novos sobre assentamentos proto-históricos, entre outras descobertas

José Pichel Andrés/DICYT A construção de uma grande represa no rio Sabor, afluente do rio Duero que se estende pela região de Trás-os-Montes paralela à fronteira espanhola, fez com que fossem realizados trabalhos arqueológicos nas zonas inundadas. O resultado destas intervenções é uma série de achados chamativos relacionada com a Idade do Ferro, como um conjunto de mais de 500 gravuras e assentamentos populacionais peculiares para esta época, segundo explicaram os especialistas reunidos em Zamora (Espanha) no Congresso Internacional "Fortificações na Idade do Ferro: Controle dos recursos e o território".

Uma das conferências ocupou-se do lugar fortificado de Castelinho, em Torre de Moncorvo, distrito de Bragança. O assentamento da Idade do Ferro foi ocupado depois pelos romanos até o século II d. C. e apresenta uma “complexa arquitetura defensiva, com muralhas e fossos”, explicou à DiCYT o arqueólogo Filipe Santos. De qualquer forma, “o mais impressionante”, assegura o arqueólogo, é um conjunto de 520 placas gravadas que representam guerreiros a cavalo e a pé, motivos geométricos e animais. Um dado curioso é que nas gravuras estão desenhadas armas que realmente não foram encontradas na jazida. Pelo contrário, são abundantes os materiais habituais neste tipo de escavação arqueológica, como cerâmicas, metais, fíbulas ou moedas.

A escavação já foi concluída e agora “os materiais estão sendo estudados por nossa equipe”, assinala Filipe Santos. Os resultados servirão para conhecer um pouco mais sobre os colonizadores desta zona anteriores aos romanos, de quem se sabe muito pouco, ainda que, provavelmente, estejam relacionados com outros povos mais conhecidos.

A estranha localização de Crestelos

A pesquisa do sítio arqueológico de Crestelos, localizado em uma curva do rio Sabor, muito singular dentro da Idade do Ferro também contribuirá para verificar isso. “Naquela época, o normal é que houvesse populações fortificadas nos altos, difíceis de atacar, mas aqui nos deparamos com um assentamento agrícola em um vale que não se destacava por suas defesas, ainda que estivesse vinculado a outros pontos estratégicos mais elevados”, comenta o pesquisador Sergio Pereira. Particularmente, estaria muito relacionado ao outro território próximo que realmente tem muralhas. Todo o conjunto é um impressionante assentamento onde foram encontrados todo tipo de materiais e duas necrópoles e que se manteve ocupado durante séculos.

No total, nesta sessão do congresso que se celebra em Zamora, houve seis conferências de Portugal sobre diferentes lugares e alguns resultados de pesquisa importantes. No caso da jazida de Alto da Fonte do Milho, localizada em Peso da Régua, até agora se pensava que era somente uma vila romana, contudo, os últimos estudos revelaram a presença de muralhas proto-históricas. “As escavações lançaram luz sobre estruturas, pelo menos, da Segunda Idade do Ferro”, comenta Javier Larrazábal, o que vem a constatar que “a imagem que temos de uma obra única é estranha, a realidade é mais complexa”.