Ciencia Portugal , Castelo Branco, Martes, 19 de mayo de 2015 a las 19:11
INESPO II

Universidade da Beira Interior desenvolve tecnologias para o cuidado de idosos

As novas tecnologias melhoram a qualidade de vida e a independência dos idosos e dos seus cuidadores

José Pichel Andrés/DICYT O grupo de investigação NetGNA (Next Generation Networks and Applications Group), da Universidade da Beira Interior (UBI) está a trabalhar no desenvolvimento de tecnologias que possam ser aplicadas ao campo da saúde e, especialmente, ao cuidado dos idosos. Através de ferramentas tecnológicas como sensores corporais e sinais móveis podem melhorar a qualidade de vida e facilitar a independência das pessoas de avançada idade.


Isto é o que se conhece como Ambient Assisted Living (AAL), que incentiva os idosos a manterem a sua autonomia tanto tempo quanto possível com o apoio das novas tecnologias. Dado o envelhecimento da população, especialmente na Europa, o objetivo é prolongar o tempo que as pessoas podem viver com dignidade em sua casa e melhorar a eficiência económica dos serviços assistenciais.


Um dos mais recentes projetos deste grupo, ligado ao Departamento de Informática da Universidade da Beira Interior, foi o projeto ‘AAL4ALL - Ambient Assisted Living for All’, que teve a participação de 34 parceiros, incluindo multinacionais como Microsoft. Nesta iniciativa, desenvolvida desde 2011 até o presente, “assumimos a liderança da tecnologia móvel”, explica o investigador Joel Rodrigues.


O objetivo do projeto foi promover uma série de produtos e serviços verificados por meio de testes a grande escala que, em alguns casos, já estão disponíveis para a sua comercialização. Um exemplo da tecnologia desenvolvida pela equipa da UBI é um sistema de localização que se pode acoplar a um sapato; através de sinais de GPS e GSM envia a sua posição em tempo real e, assim, as pessoas que sofrem problemas neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer e outras demências, podem desfrutar de uma maior liberdade para sair à rua, enquanto estão controladas pelos seus familiares ou cuidadores.

 

Mais independência

 

Da mesma forma, a tecnologia permite ter sensores corporais para medir a temperatura ou fazer um cardiograma e armazenar essas informações em tempo real através do telemóvel. “Com o apoio da tecnologia é possível que alguns pacientes não precisem de ficar no hospital e ganhem em independência, e não só eles, mas também as suas famílias”, explica Joel Rodrigues.


Em colaboração com Microsoft, o grupo NetGNA realizou uma experiência de monitoramento na cidade de Covilhã com pessoas com mais de 65 anos. Durante várias semanas, armazenaram numerosos dados e obtiveram uns resultados “muito bons”, por exemplo, com a incorporação de sensores ambientais nos quartos, a poderem medir a qualidade do ar.


Esta linha de investigação em tecnologia para a saúde é muito importante, dadas as previsões globais que indicam que em 2050 cerca de 16% da população terá mais de 65 anos, uma percentagem que pode multiplicar-se em alguns países europeus.

Data Center

 

Por outro lado, o grupo de investigação NetGNA também abrange outras áreas da investigação em novas tecnologias, como grandes redes de computação. Neste sentido, destaca o impulso de Joel Rodrigues para a criação do Data Center PT Covilhã, um dos maiores centros de processamento de dados do mundo, no qual participa tanto a Universidade da Beira Interior como a empresa Portugal Telecom. Este centro oferece serviços de cloud computing ou “computação na nuvem” e atualmente está em um momento de formação dos especialistas que, posteriormente, ficarão a trabalhar em Covilhã.